CPI do INSS Rejeita Convocação de Filho de Lula em Meio a Disputas Políticas e Novas Oitivas

CPI do INSS Rejeita Convocação de Filho de Lula em Meio a Disputas Políticas e Novas Oitivas

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), encarregada de investigar um esquema bilionário de fraudes em descontos associativos, encerrou sua última sessão de 2025 com importantes deliberações. Em um cenário de intensa polarização política, a comissão rejeitou o requerimento para ouvir Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Simultaneamente, foram aprovadas as convocações de figuras do setor bancário e do governador de Minas Gerais.

A Fraude no INSS e o Início da Investigação

A investigação da CPMI do INSS foca em desvios estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, decorrentes de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Este esquema, que consiste na cobrança indevida de taxas de filiação a sindicatos e associações sem a anuência dos beneficiários, teve início em 2017. Registrou um crescimento acentuado a partir de 2019 e um "boom" em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, continuando a se avolumar em 2023, sob a gestão atual.

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) em abril de 2025, expôs a dimensão da fraude. A operação levou à demissão e posterior prisão de Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS, nomeado pelo governo Lula.

Trabalhos da CPMI e Figuras Centrais

Instalada em 20 de agosto de 2025, a CPMI é presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) e tem como relator o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Desde o início dos trabalhos, a comissão solicitou a prisão preventiva de 27 suspeitos, resultando na detenção de figuras-chave como Antônio Carlos Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e Maurício Camisotti, ambos apontados como operadores centrais do esquema.

A CPI também aprovou a quebra de sigilo bancário de diversas associações e empresas, incluindo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). O vice-presidente do Sindnapi é Frei Chico, irmão do presidente Lula, embora não haja indícios de seu envolvimento direto no esquema e ele não esteja entre os investigados.

Sessão Decisiva: Rejeições e Aprovações de Convocação

A sessão da CPMI realizada em 4 de dezembro de 2025 foi marcada por uma derrota da oposição no requerimento para convocar Fábio Luís Lula da Silva. Por 19 votos a 12, os senadores rejeitaram o depoimento de Lulinha, que atualmente reside na Espanha. A tentativa de convocação ganhou força após o site Poder360 revelar informações obtidas da Polícia Federal, segundo as quais uma testemunha teria afirmado que Lulinha recebeu R$ 300 mil de Antônio Carlos Antunes, o "Careca do INSS".

A reportagem do Poder360 aponta para uma possível sociedade entre Antunes e Lulinha, talvez no ramo de cannabis medicinal, com o objetivo de lavagem de dinheiro. Documentos da CPI também indicariam uma relação próxima de Lulinha com Roberta Schlesinger, suposta sócia de Antunes, e o envolvimento de Ricardo Bimbo Troccoli, secretário nacional de Ciência e Tecnologia da Informação do PT, cuja empresa teria recebido R$ 11 milhões de entidades ligadas à fraude. Advogados de Lulinha e parlamentares governistas classificaram as acusações como "pirotécnicas" e "factoides da oposição".

Na mesma sessão, foram aprovadas as convocações de figuras de destaque do setor financeiro e político:

  • Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, que está sob investigação por possíveis irregularidades na oferta de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS, além de alegações de venda de créditos e títulos falsos.
  • Dirigentes dos bancos Daycoval, Pan, Agibank e BMG, instituições que também serão ouvidas pela comissão.
  • O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), questionado sobre a atuação da Zema Financeira, empresa à qual esteve ligado, em empréstimos a beneficiários do Auxílio Brasil em 2022. Zema, em nota à CPI, afirmou ter deixado a empresa em 2018.

Por outro lado, foram rejeitados pedidos de convocação de membros dos bancos Santander e C6, e da presidente da Crefisa, Leila Pereira.

Próximos Passos da Investigação

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, manifestou a intenção de concluir os trabalhos e apresentar o relatório final da CPMI até março de 2026. A complexidade do esquema, que envolve múltiplas empresas, entidades e agentes públicos, é um desafio significativo para a investigação.

Fonte: Nexo Jornal

Categorias: #política #economia #mundo

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